Caminho da Santa Cruz - a trilha entre a Praia do Forte e a Praia da Daniela
- Família na Trilha

- 22 de ago.
- 4 min de leitura

O Caminho da Santa Cruz é uma trilha circular entre as praias da Daniela e do Forte, norte da ilha de Santa Catarina. É a união de duas trilhas tradicionais: o Caminho do Forte, que leva da Daniela até a Fortaleza de São José da Ponta Grossa pela beira da praia, com o Caminho da Cruz que faz a ligação entre as duas praias pelo alto do Morro do Forte.
O percurso

Vários locais podem ser o início desta caminhada, mas nós normalmente escolhemos deixar o carro na beira da Praia do Forte e seguir pela orla até a Daniela, para depois encarar a subida a partir da Daniela. O percurso total é de 4 km onde vamos do nível do mar, até 100 metros de altitude. É uma caminhada para se concluir com tranquilidade entre 3 horas e 3:30.

Paisagens e Mirantes
É uma trilha por cenários belíssimos, mas em especial dois pontos se apresentam como mirantes naturais, com uma vista especial por um lado para a Praia de Jurerê e pelo outro para a Praia da Daniela e Ilhas de Anhatomirim e Ratones.
Natureza
Um atrativo a parte é a fauna da região. As crianças se encantam quando podem observar de pertinho gralhas azuis, urubus de cabeça vermelha e gaviões. Além destas, a região é rota de aves migratórias, que podem ser avistadas em determinadas épocas do ano. Um verdadeiro espetáculo para quem gosta de observar a natureza!

A flora também tem um destaque especial nesta trilha, principalmente a grande quantidade de cogumelos. Ao mesmo tempo que encanta, observar a flora também é um convite a reflexão, já que é uma área com grande quantidade de pinus, uma espécie exótica invasora por aqui. Apesar de sua aparência imponente, ela altera o solo e dificulta a regeneração da Mata Atlântica nativa, por isso é considerada um problema ambiental.
Importância histórica
Outro ponto forte desta trilha é a conexão com a história de Florianópolis, pois é possível ver os três fortes que fazem parte do triângulo de defesa da Ilha de Santa Catarina, planejados pelo brigadeiro José da Silva Paes no século XVIII:
Fortaleza de Santa Cruz na Ilha de Anhatomirim, 1739
Fortaleza de Santo Antônio na Ilha de Ratones, 1740
Fortaleza de São José da Ponta Grossa na Ilha de Santa Catarina, 1740.
O objetivo do triângulo era bloquear o acesso à baía norte, e por consequência a região central da Ilha. As fortalezas eram feitas de pedra e cal, sendo a cal proveniente das conchas de ostras e mexilhões transformadas nas caieiras da cidade. Diferem das demais fortalezas construídas no século XVIII pois eram aproveitadas as declividades do terreno para construção das muralhas e prédios.

Apesar do belo projeto, essas fortalezas não foram capazes de impedir a Invasão Espanhola de 1777, isso porque deveriam fazer parte de um projeto de defesa que incluía outros elementos e não as fortalezas como as únicas responsáveis pela defesa da Ilha.
Na invasão de 1777 uma enorme esquadra espanhola chegou à Ilha e aportando na praia de Canasvieiras seguiu por terra à Fortaleza de São José da Ponta Grossa, sendo tomada sem disparar nenhum tiro. Durante cerca de um ano, Florianópolis foi controlada pelos espanhóis.
Curiosidade extra sobre Anhatomirim: A Fortaleza de Santa Cruz já teve várias funções ao longo da história. Além de integrar o triângulo de defesa da Ilha de Santa Catarina já foi usada como prisão em diferentes épocas, inclusive durante a Revolução Federalista (1893). Também foi utilizada como local de isolamento durante epidemias, como a varíola e a febre amarela. Sua posição numa ilha facilitava o controle sanitário da região.
Fortaleza de São José da Ponta Grossa
Próximo ao final da caminhada, é possível visitar a Fortaleza de São José da Ponta Grossa e conhecer mais detalhes desta história, além de poder apreciar mais um belo visual desta linda cidade.

O ingresso custa R$ 16,00, com meia-entrada para estudantes e crianças de 6 a 12 anos.
Menores de 6 e maiores de 60 anos têm acesso gratuito.
Na baixa temporada, há gratuidade para todos os visitantes no último domingo do mês.
Até 24 de novembro de 2025, a fortaleza não abre nas segundas-feiras.
A fortaleza teve uma grande reforma, finalizada em 2022 que inclui alguns aspectos importantes de acessibilidade, melhoria dos espaços e construção de banheiros. Mas chegou a ficar em ruínas até que os trabalhos de reconstrução fossem iniciados a partir da década de 1970.
Curiosidade histórica: A Fortaleza de São José da Ponta Grossa, junto com as outras duas do famoso triângulo de defesa da Ilha de Santa Catarina foram tombadas como patrimônio histórico pelo IPHAN e hoje são geridas pela UFSC, que promove visitas e atividades culturais no local.
Por que Caminho da Cruz?

Já próximo ao final da caminhada, pouco antes de chegar à fortaleza, passamos pela cruz que dá nome à trilha.
Ela remete à época da colonização e como ela tem diversas outras espalhadas pela Ilha. Franklin Cascaes, pesquisador da cultura açoriana na Ilha, chegou a registrar 36 delas. As cruzes serviam para “espantar os males da noite” e proteger as pessoas de bruxas e outros entes fantásticos.
Elas variam um pouquinho, mas como características principais podemos ver detalhes que relembram a Paixão de Cristo: pregos, martelos, escadas e lanças.
Para quem é esta trilha?
Caminho da Santa Cruz é ideal para quem busca uma atividade de menor grau de dificuldade. Apesar do trecho de subida, ele é curto, e todo o restante acontece em terreno mais plano. É uma ótima opção para:
Famílias com crianças;
Idosos;
Grupos escolares;
Quem busca uma trilha curta e leve em Florianópolis.

Além disso, seu traçado permite iniciar e finalizar em pontos distintos e inclusive deixar a caminhada mais curta, se for do interesse ou necessidade do participante.
Um encontro entre história e natureza
O Caminho da Santa Cruz é mais do que uma trilha. É um convite a caminhar entre praias, mirantes e mata, vivenciando a natureza, conhecendo a história e se conectando com a cultura açoriana da ilha.
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Que lugar mais lindo! Fiquei apaixonada e encantada pelo relato de vocês. Abraços.