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Ervas medicinais de Morro Grande

  • Foto do escritor: Família na Trilha
    Família na Trilha
  • 4 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de dez. de 2025

Marcas da Política Aldir Blanc, Edital Circuito Catarinense de Cultura

Plantas que Contam Histórias – Ervas Medicinais de Morro Grande é um projeto realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc em Santa Catarina, edital Circuito Catarinense de Cultura, que teve como propósito valorizar, registrar e devolver à comunidade um saber que atravessa gerações. Desde o início, esta iniciativa nasceu do desejo de reconhecer que o conhecimento sobre as plantas medicinais é também patrimônio cultural e merece ser preservado.

Há lugares que nos conquistam pela paisagem. Outros, pelas pessoas. Morro Grande reúne as duas coisas — e talvez por isso seja um dos destinos que mais nos inspira ao longo dos anos. Cada visita, cada trilha, cada conversa espontânea revela um pouco mais da riqueza natural e cultural desse território. Foi dessa convivência constante, dessa escuta atenta e desse encantamento crescente que nasceu o projeto agora disponível em versão digital neste blog.

Vista área da entrada da cidade de Morro Grande

Este livro não começou no papel. Começou na estrada. Em trilhas, em reuniões com a comunidade, em visitas às casas de mulheres que carregam consigo um patrimônio que não se encontra em herbários ou bibliotecas: o conhecimento transmitido de mãe para filha, de avó para neta, de vizinha para vizinha, sobre as plantas que curam, fortalecem e acompanham o cotidiano das famílias. Desde o início, sabíamos que não queríamos apenas listar espécies ou registrar propriedades terapêuticas. Queríamos ouvir histórias e permitir que essas histórias moldassem o caminho do livro.

Antes de iniciarmos a pesquisa em Morro Grande, a equipe da Família na Trilha havia desenvolvido outro trabalho importante: o livro Plantas Medicinais das Trilhas de São José, focado em identificar as espécies existentes em duas trilhas do município e realizar uma análise técnica de seus usos. A experiência foi valiosa e abriu portas para compreendermos a relação entre biodiversidade e saber popular. Mas, ao voltarmos o olhar para Morro Grande, percebemos que o contexto era outro. Aqui, mais do que espécies, eram as pessoas que precisavam ser valorizadas. Assim, o foco do projeto se deslocou para a escuta, para a oralidade, para a memória viva que habita cada casa visitada.

Durante a pesquisa, conversamos com cinco mulheres profundamente conectadas com as plantas e com a história de sua comunidade: Luzia Crepaldi, Salete Fenali, Elaine Menegon, Nelci Menegon e Leonir Machado. Cada uma delas compartilhou não apenas receitas e modos de preparo, mas também fragmentos de suas trajetórias de vida. Nas conversas, aprendemos que o saber tradicional é tecido de muitos fios: fé, experiência, observação, convivência com a natureza e um profundo senso de cuidado com o outro.

Luzia nos falou da mãe, guardiã de um conhecimento que atravessou décadas; Salete e seu marido, Pelegrino, nos receberam com a serenidade de quem vive rodeada pelo que planta; Elaine e Dona Nelci nos permitiram entrar em um universo de apostilas antigas, anotações e lembranças compartilhadas; e Leonir nos mostrou como o uso das plantas se entrelaça com fé, cura e espiritualidade. Em todas essas vivências, encontramos um traço comum: a sabedoria popular permanece viva porque é cuidada, praticada e transmitida com afeto.

Ao longo da pesquisa, ficou evidente que registrar essas narrativas era uma forma de valorizar um patrimônio imaterial que corre risco de desaparecer com o tempo. Em comunidades pequenas, onde a dinâmica da vida mudou rapidamente nas últimas décadas, práticas que antes eram comuns — como fazer uma pomada, preparar um chá ou usar rezas e ervas para tratar doenças, podem se perder se não houver quem continue ensinando. O livro nasce, portanto, como uma forma de preservação cultural, mas também como um gesto de respeito às histórias que encontramos pelo caminho.

Grupo que participou da oficina de Plantas Medicinais no Centro Cultural Pedro Daltoé

Além das entrevistas, o projeto contou com uma etapa essencial: a oficina realizada no Centro Cultural Pedro Dal Toé, no dia 14 de novembro. O encontro reuniu moradores da comunidade e permitiu que eles conhecessem os resultados da pesquisa, fizessem perguntas, compartilhassem relatos e contribuíssem diretamente para o livro. O farmacêutico Rodrigo apresentou formas de preparo, métodos seguros de uso, explicações técnicas e até tinturas que ele mesmo produziu, aproximando ciência e tradição em um diálogo que valorizou ambas as perspectivas.


Oficina de plantas medicinais em Morro Grande

A oficina foi um momento de confirmação: estávamos no caminho certo. Ao ver Luzia, nossa primeira entrevistada, sentada na plateia e participando ativamente, percebemos que o livro já não era apenas um registro, mas um ponto de encontro entre passado, presente e futuro. A comunidade não era apenas fonte do conhecimento, era também guardiã e protagonista dele.

Outro aspecto importante do projeto foi a compreensão de que a transmissão desse saber não acontece de forma isolada. Em Morro Grande, o conhecimento sobre as plantas é parte do cotidiano; emerge do vínculo com a terra, da experiência de quem planta e colhe, da fé de quem reza e benze, da observação de quem convive com a natureza desde cedo. Ao registrar essas histórias, buscamos honrar esse modo de vida, mostrando que a ciência moderna e o saber tradicional não são opostos, mas caminhos que podem se complementar e enriquecer mutuamente.


Capa do livro Plantas que contam histórias

O livro que disponibilizamos aqui é resultado desse processo — um processo coletivo, sensível e profundamente humano. Ele reúne as entrevistas, o registro da oficina e a análise técnica das plantas, compondo um retrato fiel de como Morro Grande se relaciona com suas ervas medicinais. É uma obra que preserva o passado, valoriza o presente e aponta para o futuro.

Ao disponibilizar a versão digital, queremos que mais pessoas tenham acesso a essas histórias. Que jovens da comunidade possam reconhecer-se nelas. Que pesquisadores encontrem pistas para novas investigações. Que moradores de outras regiões compreendam a riqueza cultural que existe no interior de Santa Catarina. E que todos percebam que, por trás de cada planta, existe sempre uma pessoa, alguém que aprendeu, praticou, transmitiu e confiou no poder da natureza.

Convidamos você a conhecer esta obra, a se emocionar com as histórias e a ajudar a manter vivo esse patrimônio imaterial que tanto diz sobre quem somos.


Acesse aqui a versão digital do livro.


 
 
 

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