Primeiros socorros em áreas remotas

Quando estamos fazendo trilhas, normalmente estamos distantes dos centros de saúde, dificultando o acesso a um atendimento especializado e tornando qualquer tentativa de socorro muito mais complicada.


Preocupados com esse fato, estamos constantemente nos capacitando. A mamãe fez curso de atendimento a emergências pelo Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, a Malu e o Erick fizeram curso de Bombeiro Mirim, também pelo Corpo de Bombeiros. O papai já fez curso de atendimento pré hospitalar pela Cruz Vermelha e de primeiros socorros em pediatria pela Liga Acadêmica de Enfermagem Pré-Hospitalar e Emergência da UFSC.

Além destes treinamentos trazerem uma bagagem fantástica, eles nos ensinam a chamar socorro e fazer atendimento básico até a chegada dos socorristas. Mas quando esse socorro pode demorar horas, ou até dias, o que devemos fazer? Justamente por isso, sentíamos muita falta de algo específico, que nos trouxesse conhecimento necessário para atender qualquer dificuldade quando o socorro pode demorar e nossas ações podem salvar vidas.


Já pensou na situação de uma queda na trilha com trauma no cérebro ou na coluna? Ou num ataque cardíaco no meio da trilha? Alergia?


Então pesquisamos muito e encontramos a Wilderness Medical Associates International, uma instituição dos Estados Unidos que faz treinamentos para pessoas que trabalham em ambientes remotos e difíceis objetivando fornecer as habilidades e conhecimentos necessários para improvisar, adaptar e exercer um julgamento razoável em situações de acidentes.


Entre os dias 19 e 22 de novembro, o papai fez o curso de Wilderness Advanced First Aid (Primeiros Socorros Avançados em áreas Remotas), conhecido como WAFA. Foram quatro dias de imersão total numa pousada maravilhosa, o Recanto Sobragi, em Morrinhos do Sul - RS. A organização foi feita pela Trilhas do Sul, uma velha parceira do Família na Trilha.

Entre os conhecimentos que os participantes devem adquirir estão avaliação de cena, suporte básico de vida, sistema musculoesquelético, avaliação de coluna, tratamento de feridas e queimaduras, problemas ambientais, problemas médicos em áreas remotas e resgate.

A instrutora foi a experiente Samanta Chu, que com muita dedicação repassou seus conhecimentos e com um elevado grau de exigência cobrou nosso empenho. Eram no mínimo dez horas por dia de muito conteúdo e avaliações teóricas e práticas diárias.


O ponto alto foi o simulado, quando a Samanta elaborou um cenário de queda de uma ponte de trem, onde cinco pacientes tiveram diversos tipos de traumas. Com maquiagem realista e uma encenação perfeita das "vítimas", impossível não perceber a tensão nos socorristas.

No final, a sensação de satisfação com o investimento de tempo absorvendo conhecimentos que podem salvar vidas quando estivermos fazendo nossas trilhas. Hoje nos sentimos muito mais confiantes para levarmos pessoas nas nossas aventuras.

Agora, o papai possui uma certificação internacional de primeiros socorros em áreas remotas, e como diz o lema da WMA, está pronto para "Encarar qualquer desafio, em qualquer lugar"!

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