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Trilhas de Guabiruba

  • Foto do escritor: Família na Trilha
    Família na Trilha
  • 3 de fev.
  • 8 min de leitura

Atualizado: 5 de fev.

Trilhas de Guabiruba: natureza, paisagens e histórias escondidas entre as montanhas

Localizada no Vale do Itajaí, Guabiruba é uma cidade marcada pela forte relação entre natureza, trabalho e ocupação humana. A cidade se desenvolveu a partir da agricultura, da extração de recursos naturais e da instalação de pequenas comunidades rurais que moldaram a paisagem ao longo do tempo. Morros, vales, rios e áreas de Mata Atlântica formam um território diverso, onde antigas rotas de circulação acabaram se transformando em trilhas usadas hoje para lazer, contemplação e educação ambiental.

Vista do Vale do Lageado, mirante no bairro Lageado Alto, Guabiruba

As trilhas de Guabiruba não surgiram por acaso. Muitas delas seguem caminhos utilizados para acessar áreas de cultivo, locais de extração mineral ou pontos estratégicos de observação do território. Ao caminhar por esses percursos, é possível perceber marcas do passado integradas ao ambiente natural, como estruturas abandonadas, clareiras antigas e mudanças na vegetação. Por isso, trilhar Guabiruba é também uma forma de compreender como a cidade se construiu ao longo das décadas.

Neste texto, reunimos algumas das principais trilhas do município, destacando suas características físicas, nível de esforço, ambiente natural e o potencial histórico de cada uma. Ao final, deixamos o convite para aprofundar esse olhar por meio do livro digital “Essa Trilha Tem História – Guabiruba”, que reúne descrição técnica, pesquisa histórica e registros fotográficos sobre esses caminhos.


  


Por que fazer trilhas em Guabiruba

Guabiruba se destaca como destino para trilhas por reunir diversidade de paisagens, diferentes níveis de dificuldade, forte presença histórica e baixo nível de massificação. No município, é possível encontrar percursos que levam a cachoeiras, mirantes e áreas de mineração desativadas. As trilhas de cachoeira oferecem contato direto com rios e ambientes naturais bem preservados, os morros garantem vistas amplas da região, e as antigas minas revelam marcas importantes da história econômica local. Essa variedade permite vivenciar ambientes distintos em um mesmo destino.

Além da diversidade, Guabiruba oferece trilhas para diferentes perfis de visitantes, com percursos mais curtos e acessíveis, indicados para iniciantes e famílias, e outros que exigem maior preparo físico e atenção à segurança. Grande parte desses caminhos segue antigas rotas de trabalho, circulação e uso do território, conectando diretamente natureza e história local. Somado a isso, o município permanece fora dos principais circuitos do turismo de massa, o que garante trilhas mais preservadas, menor fluxo de visitantes e uma experiência mais tranquila, responsável e alinhada à valorização do patrimônio natural e cultural.


Onde estão as trilhas de Guabiruba

Distribuição das trilhas no território de Guabiruba

As trilhas apresentadas neste roteiro estão distribuídas em diferentes regiões de Guabiruba, o que permite conhecer o município de forma ampla, percorrendo áreas com características naturais e históricas distintas. Três delas estão localizadas no bairro Lageado Alto, uma no Aymoré, uma no São Pedro e outra na ligação entre Lageado Baixo, Planície Alta e Guabiruba Sul. Essa distribuição revela como os caminhos se espalham pelo território, acompanhando antigos usos do solo, cursos d’água e áreas de ocupação humana. Embora existam outras trilhas no município, neste texto o foco está nesses percursos, que representam bem a diversidade ambiental e cultural de Guabiruba.


Trilha das Minas abandonadas

Criança na entrada da mina de ouro abandonada, em Guabiruba

Distância total: 4,6 km

Altimetria Acumulada: 412 metros

A trilha das Minas Abandonadas é uma das mais emblemáticas de Guabiruba quando o assunto é a relação entre natureza e atividade humana. O acesso ocorre pelo bairro Lageado Alto, seguindo inicialmente por uma estrada ampla, com marcas de uso por veículos de tração ou motos. Esse início facilita a caminhada, mas não deve enganar o visitante quanto às exigências do percurso como um todo, que intercala trechos de subida e descida.

Após cerca de dois quilômetros, o trajeto deixa a estrada principal e entra em um caminho com característica de trilha propriamente dita, com mata mais densa e solo irregular. Logo após essa mudança, há a travessia de um curso d’água de pouca profundidade, mas que pode variar conforme o volume de chuvas. A partir desse ponto, surgem as antigas estruturas de mineração, hoje desativadas e parcialmente tomadas pela vegetação.

As minas não possuem qualquer estrutura de visitação e exigem atenção redobrada. Lanternas são indispensáveis para quem pretende observar o interior dessas formações, sempre com cautela. Essas áreas ajudam a entender um período em que a extração mineral teve papel importante na economia local, deixando marcas profundas no território e na memória da região.



Trilha da Lagoa Azul

Lagoa Azul, Guabiruba

Distância total: 5,8 km

Altimetria Acumulada: 310 metros

A trilha da Lagoa Azul se destaca em Guabiruba, principalmente pela coloração singular da água, que chama a atenção logo à primeira vista. Também está localizada no Lageado Alto, com acesso relativamente curto, mas inclui trechos técnicos que exigem atenção. Parte do trajeto ocorre pelo leito do rio, o que torna fundamental acompanhar a previsão do tempo, e há também a travessia pela lateral inclinada de uma fenda rochosa, considerada o ponto de maior exposição a risco.

A lagoa está inserida em um contexto geológico específico, o que explica sua coloração intensa. O entorno é formado por Mata Atlântica em regeneração, com árvores de médio porte e presença constante de aves. É um local propício para pausas mais longas, observação da paisagem e registro fotográfico. A principal atenção deve ser com a profundidade elevada em alguns pontos.

Do ponto de vista histórico, a Lagoa Azul se insere em uma área que também já foi utilizada para mineração no passado. Conhecer esse contexto amplia a experiência e ajuda a compreender que a paisagem atual é resultado de transformações sucessivas.



Trilha da Cachoeira do Jerônimo

Cachoeira do Jerônimo, Guabiruba

Distância total: 3,8 km

Altimetria Acumulada: 214 metros

A trilha da Cachoeira do Jerônimo, na comunidade de Lageado Alto, segue, em grande parte do percurso, pela antiga estrada utilizada para acesso a uma serraria que funcionou na região. Esse trecho inicial é mais amplo e permite uma caminhada contínua, descendo em direção ao rio e revelando marcas da atividade madeireira que teve papel importante na ocupação do território local.

No trecho final, o caminho deixa a estrada e passa a acompanhar o curso do rio, exigindo atenção nas áreas úmidas e nas pedras escorregadias. A aproximação da cachoeira ocorre pelo próprio leito, em águas rasas, permitindo chegar caminhando até a base da queda.

O grande destaque da Cachoeira do Jerônimo está na força da água, na beleza do cenário e na sensação de proximidade com a queda. Estar diante da cascata, sentindo o som e a vibração do ambiente, torna a chegada um momento marcante da trilha. Além do aspecto natural, o local mantém relação direta com a história da atividade madeireira, que influenciou a abertura de caminhos e a transformação da paisagem ao longo do tempo.



Trilha do Morro São José

Morro São José, Guabiruba. Imagem aérea

Distância total: 2,5 km

Altimetria Acumulada: 266 metros

A trilha do Morro São José tem início na comunidade de Aymoré e sua principal característica é o ganho de altitude. A subida é constante, com trechos íngremes que exigem preparo físico e ritmo adequado. Em compensação, o topo oferece uma vista ampla da cidade e das áreas rurais ao redor, permitindo uma leitura clara do relevo e da ocupação do território.

Ao longo da subida, é possível observar elementos religiosos e pequenas estátuas, que transformam a caminhada em um caminho de peregrinação. No topo, destaca-se a cruz instalada em homenagem a São José, colocada como forma de pedido de proteção para a cidade e suas comunidades. Esse aspecto espiritual reforça o vínculo entre fé, território e identidade local.

A trilha atravessa áreas de mata e trechos mais abertos, evidenciando diferentes estágios de uso e regeneração do solo ao longo do tempo.



Trilha da Cachoeira Guabiruba Sul

Cachoeira Guabiruba Sul

Distância total: 1,1 km

Altimetria Acumulada: 41 metros

A Cachoeira Guabiruba Sul está localizada no Parque Municipal Vereador Érico Vicentini. O acesso ocorre pelo trevo que liga os bairros Planície Alta, Guabiruba Sul e Lageado Baixo, uma área de mata conservada e possui acesso considerado mais tranquilo quando comparado a outras trilhas do município. O percurso segue por áreas sombreadas, com presença constante de água, o que contribui para temperaturas mais amenas.

A cachoeira é formada por várias quedas menores, criando diferentes poços e espaços de descanso. O ambiente é ideal para quem busca contato direto com a natureza, sem grandes desafios técnicos.

Do ponto de vista histórico, a região da Cachoeira Guabiruba Sul tem papel fundamental no desenvolvimento do município e do estado. Em suas águas foi construída a primeira usina hidrelétrica de Santa Catarina, marco importante no processo de modernização e no uso da energia elétrica na região. Esse empreendimento evidencia como os recursos naturais de Guabiruba foram utilizados para impulsionar atividades produtivas, influenciando a organização dos bairros rurais e das propriedades ao longo do tempo.



Trilha da Cachoeira da Lorena

Cachoeira da Lorena

Distância total: 0,2 km

Altimetria Acumulada: 7 metros

A trilha da Cachoeira da Lorena, localizada no Bairro São Pedro, combina estrada rural e trilha em meio à mata, tornando o acesso relativamente simples. Essa característica faz com que seja bastante frequentada por moradores e visitantes que buscam um passeio mais curto.

Por ter um acesso curto, com cerca de 100 metros, a trilha da Cachoeira da Lorena é marcada pela facilidade de chegada e pela integração direta com o ambiente natural. Em poucos minutos de caminhada, o visitante alcança a queda d’água, o que torna o local bastante procurado para visitas rápidas, momentos de descanso e contato imediato com a natureza.




A importância de valorizar os aspectos históricos das trilhas

As trilhas de Guabiruba não são apenas caminhos em meio à mata. Muitas delas guardam marcas visíveis do passado, revelando antigas formas de trabalho, circulação e ocupação do território. Estradas abertas para serrarias, acessos às minas, rotas usadas por agricultores e pontos de encontro comunitário permanecem presentes na paisagem, mesmo quando a vegetação volta a ocupar parte desses espaços.

Nomes de lugares, histórias transmitidas entre gerações, usos tradicionais e memórias familiares estão diretamente ligados a esses percursos. Cada trilha carrega relatos que ajudam a compreender como as pessoas viveram, trabalharam e se relacionaram com o ambiente ao longo do tempo. Valorizar esses elementos é reconhecer que a paisagem não é neutra, mas resultado de escolhas, esforços e adaptações.

Nesse sentido, a trilha pode ser entendida como um verdadeiro documento vivo da história local. Diferente de registros escritos ou fotografias, ela permite que o visitante caminhe sobre os próprios vestígios do passado, observe transformações no território e perceba a continuidade entre gerações. Fortalecer esse olhar histórico contribui para a preservação cultural, para o turismo responsável e para a construção de uma relação mais consciente com o patrimônio natural e social de Guabiruba.


Essa trilha tem história

O livro digital “Essa Trilha Tem História – Guabiruba” é fruto de um projeto cultural voltado ao registro, à valorização e à difusão da memória associada às trilhas do município. A publicação reúne pesquisa histórica, fotografias e narrativas que contextualizam cada percurso dentro do processo de ocupação e transformação do território.

O projeto foi financiado pela Lei Aldir Blanc, por meio da Fundação Catarinense de Cultura, no Edital Circuito Catarinense de Cultura, o que garante seu caráter público, educativo e acessível. Esse apoio institucional permitiu a realização de um trabalho sistemático de levantamento, escuta de moradores, organização de informações e produção de conteúdo qualificado.

Logos do Circuito Catarinense de Cultura FCC

Mais do que apresentar dados, o livro propõe uma forma de leitura das trilhas a partir da história local, valorizando saberes, memórias e experiências que muitas vezes não aparecem nos registros oficiais. Ele amplia a compreensão do território e fortalece a relação entre comunidade, patrimônio e visitantes.

O acesso ao livro está disponível neste site e funciona como um convite para aprofundar a experiência nas trilhas de Guabiruba, unindo caminhada, conhecimento e pertencimento.

Capa do livro Essa trilha tem história - Guabiruba

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