Grau de dificuldade das trilhas :

Entenda para saber como escolher sua aventura.

Uma dúvida recorrente dos trilheiros é sobre o grau de dificuldade das trilhas. É muito comum recebermos perguntas como: É muito difícil? Tem muita subida?

Por este motivo, desde que começamos a nos preparar para levar mais famílias para as aventuras, ficamos pensando como repassar essa informação de forma menos subjetiva e com critérios que facilitassem o entendimento.

Descobrimos que existem diversas formas de classificar as trilhas, algumas criadas por clubes de montanhismo, outras por órgãos oficiais dos países, enfim, não havia um consenso sobre o tema.

Nós decidimos utilizar a metodologia da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Primeiro porque é o órgão responsável pela normalização técnica no Brasil. Segundo, porque acreditamos que esse sistema traga de forma didática informações sobre cada um dos critérios que consideramos importantes para definir a dificuldade do trajeto. E terceiro, porque a legislação brasileira prevê que as operadoras de turismo de aventura devem ter um sistema de gestão da segurança implementado, conforme normas técnicas oficiais (Art. 34 do Decreto 7381/2010).

A norma da ABNT que trata do tema é a ABNT-NBR 15505-2 - Turismo de Aventura - Caminhada - Classificação de percursos. Ela estabelece quatro critérios fundamentais para a classificação do percurso: severidade do meio, orientação do percurso, grau técnico do percurso e esforço físico. Cada um destes critérios podem receber notas que variam de 1 a 5, sendo 1 as trilhas mais fáceis e 5, obviamente, as mais difíceis. Então com base neles, teremos esta classificação, por critério e não uma classificação única para a trilha. Vamos falar sobre cada um dos critérios.

Aqui em Florianópolis algumas trilhas têm uma avaliação com base nesta norma disponível no seu início: Caminho Guarani e do Saquinho, ambas na Lagoa do Peri; Caminho dos Pescadores, que leva à Praia do Gravatá; Trilha da Fortaleza à Galheta. Importante destacar que estas placas trazem a classificação do percurso apenas para ida, não computando, portanto a volta. Justamente por esse motivo, que a nossa classificação pode divergir das placas, porque quando elaboramos levamos em consideração a ida e a volta.


Severidade do Meio

Este item faz referência aos locais por onde se dá a trilha, se há água potável no decorrer do percurso, se há sinal de celular, se tem pedras soltas, incidência do sol, frio, vento. Enfim, são vinte critérios que precisam ser avaliados para se definir o grau de severidade daquele trajeto. Quanto mais itens constarem, mais severa será a trilha.


Orientação do percurso:


Este critério traz de forma objetiva qual a probabilidade de se perder durante a trilha. Uma trilha com muitas bifurcações, por exemplo, recebe um grau maior do que uma trilha reta sem perigo de errar o caminho.



Grau técnico do percurso:

Neste quesito é definido qual é a necessidade de uso das mãos, passagem por rochas, escaladas, enfim, qual é a técnica necessária para enfrentar a trilha. Uma caminhada pela praia, recebe o grau 1, por exemplo, enquanto passagens por trilhas com pedras soltas e raízes muito expostas recebe o grau 3. Já o grau 5, são trechos de escalada.


Esforço físico

Para se definir esse critério há uma fórmula matemática que envolve a distância percorrida e as subidas e descidas existentes na trilha, além do tipo de solo por onde se dará a caminhada. Obviamente este critério é desenvolvido pensando em pessoas comuns, ou seja, a população em geral e não atletas. Portanto, sempre vai existir uma diferença entre a sensação de esforço físico necessário entre as pessoas. Rotina de atividade física, condição corporal, doenças pré-existentes e até mesmo condição psicológica podem afetar diretamente no grau de esforço físico necessário para completar um trajeto.


Como definimos o grau de dificuldade:

Para que uma trilha entre nos nossos roteiros ela precisa ter a classificação do percurso definida. Para isso, primeiro vamos fazer a trilha com o GPS ligado, observando e anotando todos os perigos que encontramos. Por exemplo, no quilômetro 1,54 da trilha do Rapa existe uma bifurcação onde o pessoal pode se perder. Ao final da trilha, teremos um inventário de perigos, um mapa com a distância e a altimetria do percurso e um conjunto de medidas para proteger o grupo dos perigos.

De posse de todos estes dados, vamos para o computador e fazemos todos os cálculos necessários para definir cada um dos critérios que fazem parte da classificação do percurso, conforme mostramos acima.

Assim, para cada um de nossos roteiros montamos uma imagem, como as abaixo, onde além do grau de dificuldade, há também um mapa do local, a distância percorrida, a altimetria do percurso e a quantidade de subidas e descidas do trajeto.


Decisão final

Ciente das informações do grau de dificuldade para os quatro critérios definidos, cabe ao trilheiro decidir se é possível ou não realizar a aventura.

Como normalmente as pessoas ficam preocupadas com a questão física, estas questões podem ser melhor entendidas focando no grau técnico e esforço físico.

A severidade do meio pode indicar, por exemplo, a necessidade de levar mais água, ou roupas para o frio. No descritivo dos nossos roteiros sempre deixamos muito bem detalhado cada um desses aspectos, portanto ler atentamente o descritivo da trilha é fundamental para não passar nenhum perrengue.

Por fim, a orientação da trilha é importante para manter a coesão do grupo. Temos procedimentos específicos para garantir que ninguém fique perdido na trilha e nós, enquanto guias, conhecemos bem os trajetos que serão percorridos.

Obviamente que estamos sempre disponíveis para detalhar ou dar maiores explicações sobre os roteiros, mas somente o autoconhecimento das capacidades físicas e mentais pode definir seus limites.

Se você não se sente seguro ainda, comece sempre pelas mais fáceis, procure trilhas com graus de dificuldade 1 ou 2 e aos poucos vá subindo de nível. O mais importante é propiciar para você e para as crianças momentos em meio a natureza.

Para saber mais sobre os benefícios das trilhas para as crianças, confira o post onde falamos sobre eles.

Para dicas de trilhas para iniciantes, também já falamos no blog.


Partiu trilha?


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