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Morro do Cambirela: guia completo da trilha, dificuldade e dicas

  • Foto do escritor: Família na Trilha
    Família na Trilha
  • 7 de mai.
  • 8 min de leitura
Mulher no topo do Cambirela, com Ilha de Santa Catarina de ponta a ponta.

Se você acompanha o universo das trilhas em Santa Catarina, certamente já ouviu falar sobre o Cambirela. O Morro do Cambirela é uma das trilhas mais desafiadoras e procuradas da Grande Florianópolis. Localizado em Palhoça, dentro do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, o cume ultrapassa os 1000 metros de altitude e oferece uma das vistas mais impressionantes de Santa Catarina. Neste post você saberá em detalhes sobre o Morro do Cambirela: guia completo da trilha, dificuldades e dicas.


Onde fica o Morro do Cambirela


Mapa mostrando a localização do Morro do Cambirela

Às margens da BR 101, a poucos metros do mar, o Pico do Cambirela oferece, por sua localização, esta possibilidade de apreciar por um lado, boa parte da extensão do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (confira aqui outras trilhas na área do parque) e por outro o litoral, tendo o visual da Ilha de Santa Catarina do seu extremo norte ao extremo sul.


Como chegar de carro

Para chegar a esta montanha linda em Santa Catarina, vindo de Florianópolis, o acesso se dá a partir da Saída 221, assim que se passa a ponte sobre o Rio Cubatão. Pelo outro lado, vindo do sul do estado é pela Saída 222. Não há uma área de estacionamentos estruturada. No passado deixávamos os carros em frente a empresa Thermo King, mas com alterações feitas pela mesma na estrutura, atualmente estacionamos próximo a empresa Komeco, na Guarda do Cubatão, município de Palhoça.



Ficha técnica da trilha do Cambirela - face leste

Distância total

7,8 km


Ganho de elevação

902 metros


Tempo de subida e descida (estimativa)

4 horas para subir. 3:30 para descer.

Considere no planejamento o tempo que ficará no topo.


Nível de dificuldade

Grau 4 em esforço físico.

Classificação de percurso da Trilha do Cambirela com base na ISO 3021

Trilhas para subir o Cambirela

Para chegar ao topo do Cambirela consideramos duas trilhas principais: a face leste (que descrevemos brevemente acima) e inicia às margens da BR 101 e a face norte que inicia bem próximo a comunidade da Guarda do Cubatão. Conheça agora os detalhes das trilhas do Morro do Cambirela.


Trilha do Cambirela - Face leste


Mapa da trilha pela face leste

Essa é a rota mais utilizada para subir o Cambirela. Para a jornada pela face leste, os primeiros 700 metros são pela estrada, margeando a BR 101 até chegar a trilha propriamente dita. Chegando a placa do km 222 está a direita o início da trilha.

Podemos dividir o caminho em 3 grandes blocos inclinados:

Primeiro trecho

O primeiro uma subida em trilha relativamente aberta, com poucos trechos onde o uso das mãos é necessário.

Segundo trecho

Chegando a um pequeno riacho, inicia o segundo trecho, muito desafiador, no qual o uso das mãos é indispensável. A todo momento é necessário segurar em galhos, raízes, rochas e até grampos fixados às rochas.

Terceiro trecho

O terceiro ponto se inicia no ponto de encontro entre as trilhas leste e norte e segue até o topo. Neste ponto caminhamos sobre a crista, vencendo alguns obstáculos de rochas.

A partir do final da segunda parte a trilha sai da mata fechada e o aventureiro fica exposto ao sol.

O grau de inclinação da trilha apresenta leves alterações, mas esteja preparado para um jornada de quase 4 km inclinada morro acima (e morro abaixo na volta).


Trilha do Cambirela - Face norte


Mapa da trilha face norte do Cambirela

Esta segunda opção para chegar ao topo do Cambirela inicia na comunidade da Guarda do Cubatão, Rua José Miguel Ferreira, bem em frente a ponte sobre o Rio Cubatão (ponte na comunidade, não na BR 101). Além da rua principal, Jacobe Vilain Filho, esta região é formada por muitas ruas estreitas. Pode ser mais difícil encontrar local para estacionar no entorno.

Por esta trilha, também há um trecho de caminhada pela estrada até iniciar a trilha. E também tem um trecho de subida mais constante, seguido por um trecho do que chamamos “escalaminhada” com uso das mãos a todo momento. Nesta trilha, porém, há maior exposição nos trechos de subida por grampos até chegar à bifurcação com a trilha pela face leste e seguir ao topo.

Encontro das trilhas da face leste e face norte do Cambirela


Qual a melhor época para subir o Cambirela

Entre abril e setembro, a região entra no que muitos chamam de temporada de montanha. Nesse período, a incidência de frentes quentes diminui, o ar costuma ficar mais seco e a visibilidade melhora de forma consistente. Para quem pretende subir o Morro do Cambirela, isso faz diferença direta na experiência. As chances de encontrar o topo aberto, com vista para a ilha e o continente, aumentam bastante. Além disso, as temperaturas mais amenas reduzem o desgaste físico durante a subida, especialmente nos trechos mais inclinados.

Outro ponto importante é a segurança. Diferente do verão, quando há maior risco de temporais rápidos e descargas elétricas no fim do dia, esse período é menos sujeito a mudanças bruscas do tempo. Com menor frequência de chuvas, o terreno tende a estar mais firme, reduzindo o risco de escorregões, principalmente na parte final da trilha, onde a inclinação é maior. Ainda assim, o vento e o frio no cume exigem preparo, mas, no geral, esse intervalo oferece condições mais estáveis para planejar a subida ao Cambirela.

De qualquer forma, a orientação geral é iniciar a subida cedo para evitar estar na trilha ainda quando a noite chegar. Normalmente iniciamos às 7 horas. Curtimos lá no topo entre 11 e meio dia para então iniciar a descida. Há também a opção espetacular de subir pela madrugada para contemplar o nascer do sol. É importante acompanhar o horário da chegada do sol na data da subida, mas no geral começamos por volta das 2 da manhã. Neste caso, com toda a preparação que uma trilha noturna nos pede. 


Dificuldade da trilha e para quem é indicada

Esta é uma trilha exigente, indicada para trilheiros experientes e que fazem atividade física regular. Por suas características, ela exige do sistema cardiorrespiratório a todo tempo e também do músculo esquelético como um todo: joelhos, quadris, musculatura corporal como um todo, incluindo membros superiores que são muito requisitados no quesito escalaminhada.

Uma questão muito importante: a descida também é desafiadora, então é fundamental estar preparado para esforço físico ao longo de todo o trajeto. Com certeza, é uma trilha de nível difícil em Santa Catarina.

E por fim, uma consideração que não pode ficar de fora, o psicológico também tem que estar preparado. Para muitas pessoas, durante a descida a vontade de chegar logo atrapalha no desenvolvimento da atividade de forma mais segura e prazerosa. Sempre orientamos que são de 8 a 10 horas quando estamos com grupos, então esteja preparado para isso. Por isso, a trilha do Morro do Cambirela é considerada uma das mais exigentes da Grande Florianópolis. 

Comparando com outras experiências na região, às vezes as pessoas nos perguntam: é mais difícil que a Lagoinha do Leste? Ou mais difícil que a Pedra Branca? E a resposta é sim para ambos os casos. Ao lado da subida ao Pico do Tabuleiro, são as trilhas mais desafiadoras que realizamos na região. Confira aqui nossa experiência no Pico do Tabuleiro.

Essas orientações, porém, não servem para desestimular a jornada, mas prepará-la com consciência. Nossa primeira jornada ao Cambirela foi com nossos e filhos, na época com 6, 12 e 13 anos, a caçula foi na mochila e ficamos alguns meses planejando a experiência. Neste outro texto você pode ver os detalhes dessa nossa aventura.



O que levar para subir o Cambirela

Aqui o foco é uma relação entre todo o necessário, mas sem carregar peso desnecessário. Limite delicado, sabemos.

Água: considerar 2 litros por pessoa. Mesmo que seja inverno, é um dia inteiro de exercício físico intenso. Precisa estar bem hidratado. Atenção. Há um ponto para coletar água no km 2,5 (é o início do trecho mais íngreme). Se planejar coletar água ali, tenha clorin, pastilhas para purificação de água.

Alimentação: o que vai garantir energia para um dia inteiro na trilha. Nós sempre temos lanches para o decorrer da trilha: frutas frescas e secas, barrinhas e ovos cozidos. Lá para o topo gostamos de ter um sanduíche reforçado, priorizando sempre ingredientes que dispensem refrigeração (linguiça Blumenau e queijo polenguinho, por exemplo).

Calçado adequado: pode fazer a diferença na experiência. Calçado com o solado antiderrapante e de preferência estilo bota para proteger os tornozelos e prevenir torções. A caminhada é por terreno irregular a todo o momento. Evite calçados novos, é importante que esteja acostumado a caminhar com ele. A escolha da meia também é importante. Prefira as de materiais sintéticos que sequem rapidamente. Com a meia de algodão você vai ficar com o pé molhado assim que começar a suar.

Proteção solar: boné e protetor solar são indispensáveis. O trecho final da caminhada e todo o tempo que se passa no topo do Cambirela é sem cobertura florestal. Você ficará exposto ao sol. Se iniciar a subida pelas 7 da manhã, significa estar no sol do meio dia lá em cima, então não descuide deste ponto.

Camada de frio: Planeje sua roupa para a atividade pensando no esquema de camadas. A primeira, mais justa ao corpo, de tecido transpirável. A segunda, que garante o aquecimento (como o fleece) e a terceira camada para proteger do vento e até da chuva. Pense em peças que sejam leves e compactas, porque ao longo da subida vão para a mochila. Atenção especial se for assistir ao nascer do sol, a madrugada é gelada no topo. Gorro e um casaco extra podem fazer a diferença.

Lanterna se necessário: é sempre importante ter uma lanterna na mochila quando for para esta trilha, mesmo que durante o dia. Um pequeno atraso na descida pode te fazer pegar o trecho final já no escuro. Na subida noturna a lanterna de cabeça é indispensável. Ilumina o caminho e deixa tuas mãos livres. Não esqueça de ter pilhas extras.



Riscos e cuidados na trilha

Resumindo e reforçando:

É uma trilha desafiadora. Você vai lidar com longas subidas, muitas vezes íngremes; terreno escorregadio em alguns pontos; grandes alturas; exposição ao vento e ao sol ou frio no topo. Acompanhe em detalhes a previsão do tempo, o clima na montanha pode mudar rapidamente.

Apesar de bem demarcada, e muito frequentada, em alguns pontos pode gerar dúvidas quanto ao caminho a seguir, principalmente durante a noite.

A obrigatoriedade do condutor credenciado pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro ocorre apenas para grupos comerciais. Mas garantimos que pode fazer a diferença na qualidade e segurança da sua atividade.

Guias, condutores credenciados no Parque do Tabuleiro

Vale a pena subir o Cambirela?

Sem dúvidas nossa resposta é sim!! Vale muito a pena!

Contemplar toda a região, as baías norte e sul, a Ilha de Santa Catarina de ponta a ponta, São José, Palhoça, te dá uma noção muito diferente da dimensão da região.

A sensação de superação e a imersão na mata, observando as mudanças na vegetação e solo à medida que avança montanha acima são aprendizados da vida real.

Olhar para o lado oeste da montanha e perceber uma pontinha da imensidão que é o Parque do Tabuleiro nos dá noção da riqueza natural que temos por aqui.



Perguntas frequentes sobre o Cambirela

Precisa pagar para subir? Não há taxa de visitação. Contratando um condutor, você pagará o serviço deste profissional.

Pode subir sozinho? Não recomendamos. Mesmo que não queira contratar um condutor, nunca vá sozinho. Sua segurança vale mais.

Qual o tempo médio? Consideramos sempre 4 horas para subir 3 horas e meia para descer.

É permitido acampar? Não. É proibido acampar no Morro do Cambirela. Não há espaço adequado para instalação de barracas, quando as pessoas acampam danificam a vegetação e fogueiras acabam sendo associadas ao acampamento, o que pode ter sido motivo de incêndios na montanha no passado recente.

Tem água na trilha? No km 2,5 é o último ponto de água. Depois começa o trecho mais íngreme e não há mais água no caminho.

Precisa de autorização? Não precisa de autorização, mas para sua segurança, deixe alguém avisado de seus planos: que trilha vai fazer, com quem vai e que horas pretende voltar.

Pode levar cachorro? Não pode. O Cambirela está em uma unidade de conservação de proteção integral. A presença de animais domésticos pode interferir no ecossistema local, fauna e flora e além disso, também os animais ficam expostos a dificuldade dessa trilha.

Há lixeiras ao longo da trilha? Nãããoo!! E isso faz parte da experiência na montanha. Todo o lixo produzido durante a atividade deve retornar com você. Isso inclui embalagens, restos de alimento, cascas de frutas e sementes, que também interferem no ambiente natural. Usou papel higiênico? Acondicione em um saco e leve de volta na mochila para dar o destino correto ao retornar. A montanha, os animais e os outros trilheiros agradecem. 


Subir o Cambirela com guia

Os guias da Família na Trilha, condutores credenciados no Parque do Tabuleiro atuam focados na segurança do grupo. Atendimento individualizado, respeito às características individuais, e orientação desde o período pré-trilha.

Associado a isso vão te proporcionar uma imersão no ambiente, você vai conhecer as histórias dessa montanha icônica, o significado dela para região e compreender o ecossistema por onde estará caminhando.

Se você quer fazer o Cambirela com segurança e aproveitar melhor a experiência, faz sentido ir com quem conhece o caminho.


Guia no topo do Cambirela

 
 
 

Família na Trilha Operadora de Turismo

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Florianópolis -SC

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CNPJ: 40.887.710/0001-08

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